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UFES – Pesquisa confirma a origem da variante do Coronavírus no Amazonas com maior carga viral

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Imagem mostra a disseminação espacial dos principais grupos amazônicos do SARS-CoV-2.

Em artigo publicado no final de maio na Revista Nature Medicine, um grupo de pesquisadores, dentre eles o professor Edson Delatorre, do Departamento de Biologia do Centro de Ciências Exatas, Naturais e da Saúde (CCENS/Ufes), apresentou à comunidade científica os resultados da pesquisa sobre o vírus SARS-CoV-2 e a variante P.1 no Amazonas. Com o título Covid-19 in Amazonas, Brazil, was driven by the persistence of endemic lineages and P.1 emergence (Covid-19 no Amazonas, Brasil, foi impulsionada pela persistência de linhagens endêmicas e emergência de P.1), o artigo confirma a origem da variante de preocupação P.1 no Estado do Amazonas e uma maior carga viral no trato respiratório superior, o que justificaria a maior transmissibilidade dessa variante do coronavírus.

“A P.1 não se originou na capital, Manaus, mas numa região próxima, no encontro do Rio Negro com o Rio Solimões. Essa variante dominou a epidemia no Estado do Amazonas de forma muito rápida. Os testes realizados confirmam que a P.1 surge no início de dezembro e passa a dominar a epidemia em Manaus”, afirma o professor Delatorre, que atuou junto com pesquisadores da Fiocruz do Amazonas.

O outro achado importante da pesquisa, segundo Delatorre, foi sobre a concentração da carga viral no trato respiratório superior. Ao interagir com outras pessoas, é provável que o paciente com carga maior de vírus na garganta e no nariz tenha mais possibilidade de transmiti-lo. “Se o vírus se replica no trato superior, é mais transmissível; se ele está no trato inferior – brônquios e alvéolos –, causa maior comprometimento do pulmão”, explica o professor.

Sequenciamento
Para a pesquisa, foram coletadas 250 amostras positivas para SARS-CoV-2 (122 homens e 128 mulheres, com idade média de 43 anos) de residentes em 25 dos 62 municípios do Amazonas, incluindo a capital Manaus. O período de coleta para o sequenciamento de genomas foi de 16 de março de 2020 a 13 de janeiro de 2021.

Segundo os pesquisadores, a P.1 foi detectada pela primeira vez em 4 de dezembro de 2020 em Manaus, e apresentou um aumento extremamente rápido na prevalência até janeiro de 2021. Em meados de dezembro, o número de casos começou a crescer exponencialmente, configurando a segunda onda da epidemia.

A P.1 abriga 21 mutações definidoras de linhagem, incluindo dez na proteína Spike (L18F, T20N, P26S, D138Y, R190S, K417T, E484K, N501Y, H655Y e T1027I). Essas mutações dizem respeito a alterações químicas na composição das proteínas. Há mutações referentes a impactos na resposta imune do indivíduo e também aquelas que favorecem a ligação do vírus ao receptor de entrada da célula.

Vacinação
No artigo, os pesquisadores destacam que os resultados do estudo sugerem que a fraca adoção de intervenções não farmacêuticas representa um risco para o surgimento contínuo de novas variantes. “A implementação de medidas de mitigação eficientes, combinadas com a vacinação generalizada, será crucial para controlar a disseminação de VOCs [sigla em inglês de variant of concern, ou seja, variantes de preocupação] do SARS-CoV-2 no Brasil”, afirmam.

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