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UFSC – Pesquisa investiga notificação de vitaminas e minerais em rótulos de alimentos para crianças

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A nutricionista e pesquisadora da UFSC Amanda Corrêa Martins avaliou em sua dissertação de mestrado a notificação de vitaminas e minerais em alimentos industrializados direcionados ao público infantil e a sua sinalização na parte principal do rótulo. Essa estratégia de marketing consiste em destacar, por meio da Informação Nutricional Complementar (INC), a presença de vitaminas e minerais na composição dos alimentos. Com isso, mesmo alimentos ultraprocessados podem ser vistos como saudáveis aos olhos das crianças.

Essas substâncias podem estar na composição de forma natural ou por seus ingredientes, e “é possível também que os fabricantes adicionem esses micronutrientes de forma assintética para fins comerciais”, destaca Amanda. De todo modo, essa informação é importante para auxiliar o cliente nas suas escolhas alimentares, visto que a INC corresponde a “qualquer representação que possa afirmar, sugerir ou implicar alguma propriedade nutricional do alimento”, como indica a nutricionista.

O problema surge com o uso isolado da Informação Nutricional Complementar, isto é, apenas para fins comerciais. É direito do consumidor ter acesso a informações adequadas e claras sobre os alimentos que consome. Para garantir isso, a rotulagem de alimentos contém lista de ingredientes, tabela nutricional e a Informação Nutricional Complementar (INC). Esses elementos têm a função de indicar e informar sua composição e a quantidade de cada nutriente.

Outro ponto levantado pela nutricionista é como isso pode interferir na alimentação da criança: “A ideia de ingerir vitaminas e minerais por meio de alimentos industrializados pode afetar negativamente a ingestão de frutas, verduras, legumes, carnes, leite e derivados, desestimulando uma alimentação saudável nessa fase da vida.” Durante a infância é papel dos pais contribuir com a formação dos hábitos alimentares dos seus filhos e evitar o consumo de alimentos ultraprocessados, priorizando alimentos in natura, como vegetais, tubérculos, legumes, ou então, minimamente processados.

“Contém vitamina C” é um exemplo do uso da Informação Nutricional Complementar e pretende despertar o interesse no consumidor por conter essa vitamina. “Às vezes esse alimento pode de fato ser rico em vitamina C, mas quando a gente vai olhar no rótulo, na lista de ingredientes, na tabela de informação nutricional, a gente vê que tem características que tornam ele um alimento não indicado para o consumo da criança”, reforça a pesquisadora.

Compreender o uso da INC foi o objetivo da dissertação da nutricionista sob a orientação da professora Paula Lazzarin Uggioni e coorientação da professora Vanessa Mello Rodrigues. O trabalho faz parte de uma pesquisa mais ampla do Núcleo de Pesquisa de Nutrição em Produção de Refeições (Nuppre) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) sobre a rotulagem de alimentos.

De uma amostra de 5.620 alimentos, 535 foram avaliados por serem direcionados ao público infantil. Esses alimentos foram separados em 8 grupos alimentares e foi observada maior frequência desse recurso em leites e derivados lácteos e óleos e gorduras. Estudos anteriormente realizados constataram que alimentos muito calóricos, com muitos açúcares e deficientes em nutrientes utilizam essa ferramenta com mais frequência. Amanda Martins ainda apontou a frequência dos nutrientes adicionados. “As principais vitaminas notificadas nos três lugares analisados foram vitamina A, complexo B, vitamina C e D e, entre os minerais, cálcio, ferro e zinco”.

Da maneira que a Informação Nutricional Complementar é usada, associada às cores, letras e figuras presentes no rótulo, podem transformar um produto ultraprocessado em um alimento saudável aos olhos da criança e dos pais, alerta Amanda. Em outra pesquisa do Nuppre foi identificado que “mesmo as crianças apresentando percepção confusa quanto a essa informação e não entendendo bem esse significado elas são impactadas de forma bastante perceptível sobre essas informações no rótulo e avaliam esse produto como positivo”, garantiu a nutricionista. A pesquisadora também ressalta que a INC, por ser apresentada na parte da frente do rótulo, faz com que as pessoas não busquem pela lista de ingredientes e pela tabela nutricional na parte de trás. A leitura da lista de ingredientes, de acordo com ela, é muito importante para orientar a decisão de compra pelo consumidor.

De acordo com a autora, as questões levantadas no trabalho podem contribuir no aprimoramento da regulação de rotulagem no Brasil e estimular a busca por alimentação saudável para as crianças. “Espera-se que os dados obtidos possam contribuir com os esforços para controlar a publicidade de alimentos direcionada às crianças por meio de políticas públicas que desestimulem o consumo de alimentos ultraprocessados. E indiretamente, estimular o consumo de vitaminas e minerais por fontes naturais, visto a importância do consumo destes alimentos para a saúde da criança”, afirma.

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