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Cefet-MG – O que a inteligência artificial pode fazer na indústria?

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Em diversos segmentos das indústrias, a Inteligência Artificial possibilita processos mais rápidos e eficientes

O radar que reconhece a placa do seu veículo. O celular que reconhece seu rosto ou sua digital para destravar a tela. Usar um aplicativo para descobrir o melhor caminho entre dois pontos em uma cidade, levando-se em consideração a distância e o tempo gasto em cada trecho…

Todos esses são exemplos corriqueiros da aplicação da Inteligência Artificial (IA) no nosso dia a dia. O que talvez a gente não preste atenção são todas as aplicações da IA que estão por trás da fabricação de diversos produtos e na otimização de processos nas mais variadas indústrias. Quem afirma isso é o professor Douglas de Oliveira, do campus Timóteo do CEFET-MG.

Ele demonstra como diversas atividades são realizadas pela computação nas indústrias, extrapolando o que somente humanos podem realizar. Para falar desses processos, o professor Douglas chama a atenção para duas técnicas da IA: os algoritmos genéticos e as redes neurais artificiais. “Os Algoritmos Genéticos (conhecidos também com AG ou GA em inglês) são programas baseados na teoria da evolução das espécies utilizados em problemas de otimização”, explica Douglas. Isso significa que, assim como na natureza, a mutação e a seleção natural atuaram para otimizar ou “evoluir” uma determinada espécie, também programas de computador podem selecionar e melhorar soluções para um determinado problema. “Esta técnica de otimização se tornou bem difundida por ser de fácil adaptação a diversos problemas como encontrar os melhores parâmetros para o funcionamento de um carro, escolher os componentes e o processo de fabricação de um aço que possuirá uma determinada propriedade, escolher a quantidade e quais os componentes químicos para produção de uma droga farmacêutica”, detalha o professor.

As redes neurais artificiais (RNAs) também têm semelhança na biologia para criar processos computadorizados. “Elas são programas que criam neurônios artificiais baseados nos neurônios biológicos”, conta Douglas. “Estes neurônios artificiais são conectados entre eles para produzir uma rede de processamento de sinais de entrada com o objetivo de produzir uma saída desejada”. As RNAs podem ser utilizadas para fazer diversas classificações como se um cliente tem potencial de inadimplência baseado no seu perfil, classificar usuários de redes sociais quanto a sua força de influência em alguma área, fazer sugestões de filmes em uma plataforma de streaming, entre outras.

Na indústria, ambas as técnicas podem ser utilizadas, inclusive em conjunto, afirma Douglas: “As RNAS podem mapear qualquer processo de fabricação de um produto e os AGs podem utilizar este mapeamento para procurar parâmetros deste processo para produzir um produto com propriedades específicas”. Os ganhos são diversos: redução no tempo de análise de dados, seja na busca, reconhecimento ou classificação; redução de custos; ganho de velocidade no atendimento ao cliente; escoamento da produção de forma mais precisa e menos onerosa; e a possibilidade de se criar produtos melhores, mais duráveis e com maior qualidade.

Vestir inteligente

Outro campo de contribuições muito frutíferas da Inteligência Artificial (IA) é no Design de Moda. Para a professora do campus Divinópolis do CEFET-MG Hemilly Brugnara, o foco da IA na Moda é entender o comportamento humano e seu consumo.

E, para explicar melhor as aplicações, ela destrincha o Design em três segmentos: produto –as peças de vestuário, calçados e acessórios; processos – sejam os processos de criação ou produção; e serviços – onde entra o marketing, a venda e o consumo. “Nestes três segmentos, temos várias aproximações com a IA”, afirma Hemilly. “A tendência global é melhorar cada vez mais a interação de clientes com as marcas, produtos ou com os serviços de empresas”.

No caso de produtos, podemos destacar os wearables ou as “tecnologias vestíveis” que são, conforme explica a professora, produtos que próximos ao corpo podem desempenhar diversas funções. “Se adaptam ao corpo humano, que o aquecem ou o resfriam, que evitam fadiga muscular ou machucados e até mesmo roupas que te abraçam, que te oferecem respostas táteis de outras maneiras”.

Em processos de criação e produção, a IA também pode ser aplicada, permitindo melhores resultados para o consumidor e menores gastos para a indústria. “Existem hoje muitos softwares que possibilitam a criação de peças de vestuário e acessórios em modelo 3D, no qual algoritmos simulam o caimento de um tecido ou a adaptação de uma peça de roupa ao corpo”, conta Hemilly. “Há também softwares que calculam o melhor aproveitamento de tecido em um corte para se ter a menor perda possível, gerando menos resíduos”.

Por fim, a área de serviços pode se beneficiar pela criação de sistemas de venda que trazem diversas experiências ao consumidor no momento da compra. “É justamente nestas experiências que a IA entra para amplificar e exaltar a melhor sensação de consumo ao usuário”, afirma. “Já existem em muitos lugares e sites os chamados ‘provadores virtuais’, onde não é necessário a pessoa vestir a peça, há um scanner que grava todas as informações do corpo e através do sistema simulam a peça de roupa sendo vestida”.

Para além destes exemplos específicos, Hemilly Brugnara vê uma aplicação potente da IA para se pensar uma moda sustentável, afinal a moda é hoje um dos segmentos industriais mais poluentes do planeta. “A IA pode ser muito utilizada para minimizar de alguma forma os impactos ambientais causados pelo consumismo de produtos de vestuário assim como no processo de produção”, explica.

 

Acesse a 5ª edição da revista Túnel no site da Secretaria de Comunicação do CEFET-MG.

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