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UFV – Estudantes avaliam impacto da tragédia ambiental em Brumadinho a partir de imagens de satélite

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Ainda está por ser – se é que algum dia será – inteiramente dimensionado o estrago causado pelo mar de lama decorrente do rompimento da barragem da mina Córrego do Feijão, em Brumadinho (MG). Desde que a maior tragédia ambiental da história brasileira aconteceu, há cerca de dois anos, pesquisadores vêm buscando, in loco, respostas e soluções por meio de análises da fauna, flora, solo e tantas outras variáveis impactadas na região. Mas a mais recente contribuição para o entendimento do desastre vem de longe – do espaço. E de estudantes e professores da UFV.

Foi durante uma disciplina cursada no Departamento de Engenharia Florestal da Universidade que três alunos resolveram lançar novas luzes sobre a catástrofe. Com criatividade e apoio de dados fornecidos pelo satélite Sentinel-2, eles desenvolveram uma metodologia que tornou possível mensurar, em larga escala, a devastação subsequente ao espalhamento caótico dos rejeitos. Os resultados acabam de ser divulgados no artigo científico Spectro-temporal analysis of the Paraopeba River water after the tailings dam burst of the Córrego do Feijão mine, in Brumadinho, Brazil, no periódico internacional Environmental Monitoring and Assessment.

Os doutorandos David Teixeira (Meteorologia Aplicada) e Fernanda Ferreira (Engenharia Agrícola) e a mestranda Mariana Veloso (também Engenharia Agrícola), além dos professores Cibele Amaral e José Gleriani, do Departamento de Engenharia Florestal, assinam o trabalho. Nele, os pesquisadores identificaram “mudanças nas características espectrais” e “aumento na magnitude dos valores de reflectância da água” do rio Paraopeba, diretamente afetado no desastre. Dito de outro modo, o que se registrou foi que, de certa forma, o rio “virou” lama – e isso não é uma metáfora.

O estudo analisou os aspectos espectrais do rio, comparando a situação antes, durante e depois que os rejeitos surgiram. Em linhas gerais, os objetos refletem a luz – fornecem uma “resposta espectral” –, que, em grandes áreas, pode ser captada por instrumentos como satélites. As imagens produzidas foram interpretadas com o uso de softwares de geoprocessamento, nos quais um pixel (que em fotografias comuns equivale a um minúsculo ponto) equivalia a 20 metros. Os dados fornecidos pelo sistema Sentinel-2 permitiam distinguir, com clareza, o que era vegetação, solo e água, por meio de gráficos que indicam os valores de reflectância. Porém, um tempo após a ruptura da barragem, essa diferença sumiu. Conforme dito acima, tudo virou lama.

David explica que isso tudo ocorreu na época em que os rejeitos foram lançados, em fevereiro de 2019. Com o passar dos meses, os resíduos foram se assentando e a água do Paraopeba ficou menos turva. No entanto, a chegada da estação das chuvas, em outubro, fez com que o material voltasse a ficar em suspensão, novamente tornando o rio “sem luz”, quando observado de fora do planeta.

Ainda segundo David, o Sentinel-2 tem o diferencial de fornecer respostas espectrais específicas, indisponíveis em outros satélites. Mas a maior vantagem dele é o fato de permitir acesso gratuito. “Isso possibilita que outros pesquisadores repliquem a metodologia. Podem avaliar, por exemplo, o impacto em Mariana (MG) e outros lugares onde desastres semelhantes tenham ocorrido”, afirma David. “Porém, torcemos para que não precise ser usada de novo”, complementa.

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