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UFU – Universidades federais pesquisam ansiedade e depressão em seus estudantes

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Transtornos mentais atingem 25% da população, em alguma fase da vida (foto: Marco Cavalcanti/Arquivo)

Uma pesquisa está sendo realizada por oito universidades federais de Minas Gerais ‒ entre elas a Universidade Federal de Uberlândia (UFU) ‒ para revelar a prevalência de sintomas de Transtornos de Ansiedade e de Depressão e seus fatores associados entre universitários do estado.

Um dos objetivos é auxiliar na implementação de políticas públicas específicas de acolhimento e promoção da saúde mental. O questionário, disponível on-line e autoaplicável, já pode ser respondido pelos estudantes dos cursos de graduação.

A coordenação-geral do trabalho multicêntrico é realizada por Adriana Lúcia Meireles, docente da Escola de Nutrição da Universidade Federal de Ouro Preto. Na UFU, a coordenação da pesquisa está sendo feita por Luciana Saraiva da Silva, docente da Faculdade de Medicina (Famed). Também colaboram outros docentes dos cursos de Nutrição, Enfermagem e Medicina.

Conforme explica Silva, os transtornos mentais atingem 25% da população, em alguma fase da vida, reunindo quatro das dez principais causas de incapacidade em todo o mundo. “Esses transtornos são altamente prevalentes e afetam o humor e sentimentos das pessoas acometidas, ou seja, altera o modo de se ver o mundo, a realidade, influenciando nas emoções, disposição e no modo de vida em geral”, afirma a docente.

De acordo com dados de 2015 da Organização Mundial da Saúde (OMS), reportados pela coordenadora da pesquisa na UFU, estima-se que 322 milhões de pessoas (4,4% da população mundial) são depressivas, enquanto 264 milhões de pessoas (3,6% da população mundial) apresentam transtornos de ansiedade.

Esses números fazem com que os transtornos de ansiedade e de depressão sejam reconhecidos como problemas de saúde pública, comprometendo as atividades cotidianas do indivíduo, principalmente as relações sociais.

Universitários

A professora da Famed cita diversos desafios encontrados pelos estudantes ao ingressar na universidade: estudar diferentemente da forma como se preparou para o vestibular, uma nova relação professor-estudante, falar em público (por exemplo, apresentar seminários), estabelecer novos vínculos sociais, dividir moradia com outras pessoas, por vezes desconhecidas e negociar divisão de tarefas (repúblicas), cuidar de si mesmo e dos próprios pertences, ficar longe da família, de amigos(as) e namorado(a), administrar renda e trabalhar para se sustentar.

“Embora muitos universitários passem por essa fase de modo saudável, os desafios enfrentados pelos estudantes podem agravar problemas de saúde mental já existentes ou aumentar a probabilidade de eles ocorrerem. Contudo, estudos internacionais têm sugerido aumento na prevalência de sintomas depressivos e outras condições psicológicas entre estudantes universitários. Porém, são estudos com populações pequenas e de cursos específicos, motivando a realização deste estudo”, salienta a coordenadora.

Silva também chama a atenção para o fato de que, embora a ansiedade e a depressão sejam transtornos mentais comuns entre estudantes universitários, pouco se conhece sobre sua distribuição e sua relação com os comportamentos e contextos desse público.“Portanto, para a Saúde Coletiva no Brasil, este estudo poderá oferecer evidências científicas quanto à prevalência e fatores associados aos sintomas nessa população e assim fornecer informações válidas e representativas para a construção de diretrizes para saúde mental, especificamente de prevenção da ansiedade e depressão na população universitária”, diz.

O objetivo é reduzir ou minimizar o comprometimento da vida acadêmica, a partir do planejamento de intervenções que diminuam a evasão ou atraso na vida acadêmica dos estudantes da graduação.

Além da Ufop, que iniciou a pesquisa, e da UFU, o trabalho também está sendo desenvolvido em outras seis universidades federais: de Minas Gerais (UFMG), de Juiz de Fora (UFJF), de São João del-Rei (UFSJ), de Lavras (Ufla), de Alfenas (Unifal) e dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM).

Por ser um projeto multicêntrico, que envolve estudantes de diferentes instituições, os resultados serão mais abrangentes e robustos para possíveis publicações e resultados de impactos nacionais, comenta Silva.

O questionário ficará disponível para respostas até dezembro de 2021. Após a análise dos dados, que ocorrerá entre março e junho de 2022, os resultados serão divulgados em formato acessível aos participantes da pesquisa via e-mail, além de divulgação na página do Projeto PADu no instagram (@padufederais). Está prevista, também, a publicação de artigos científicos sobre o trabalho em revistas nacionais e/ou internacionais da área.

O projeto foi aprovado pelo Comitê de Ética da UFU (CAAE: 43027421.3.2001.5152). Conforme destaca a coordenação, as informações obtidas serão confidenciais e os dados serão mantidos em sigilo.

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