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Andifes defende foco na inovação

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“Faltou álcool em gel na pandemia porque não tem nenhuma indústria no Brasil que produza o gel emulsificante e precisa importar da china. Sem falar em equipamentos, por falta de ter onde produzir respiradores, equipamentos médico hospitalares. Esse é o modelo que queremos de desenvolvimento econômico? Nós vamos ter um modelo fundamentado apenas em commodities? Ou vamos tomar decisão de que queremos reingressar na ordem industrial do mundo? E o que isso tem a ver com a educação?”

O presidente da Andifes, Marcus David, alertou para a necessidade de aproximar universidades e setor produtivo.

As afirmações e questionamentos foram feitos pelo Presidente da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino – Andifes, Marcus Vinícius David, reitor da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), durante a 39ª edição do “Motores do Desenvolvimento do Rio Grande do Norte”, realizada nesta segunda-feira (22).

A colocação feita pelo reitor Marcus Vinícius em sua palestra se deve ao fato de que ele acredita que uma das maiores lições da pandemia da covid-19 foi a grande dependência industrial e a falta de uma produção que atenda as necessidades do País. Para tanto, ele fez o convite para se fazer uma grande discussão sobre o Brasil na ordem econômica mundial. Para tanto, apresentou dados. Disse que o Brasil, assim como vários outros países, tomou a decisão de reduzir seu papel como agente da produção industrial.

“Há 40 anos, o Brasil tinha 3% da população do mundo e 2% da produção industrial. Agora, 40 anos depois, continua com 3% da população do mundo e 1% da produção industrial. O discurso que fazemos é que no mínimo temos que trazer a produção industrial para 3% da produção mundial, já que temos 3% da população. Mas o Brasil não tem capacidade global se não criarmos um sistema de ciência e tecnologia que se transforme em inovação e que seja apropriado para a indústria nacional”, disse ele.

 Seminário reuniu especialistas em educação e autoridades que debateram os caminhos para recuperar as perdas do ensino-aprendizagem.

O caminho, ele também apontou: implementar uma política de ciência e tecnologia, de educação superior. “O grande desafio é ou o Brasil muda seu papel na ordem econômica mundial, ou vamos continuar expostos a crises como esta. Esse é um desafio que se coloca. As universidades terão que, efetivamente, assumir e liderar a política de inovação no País”, disse ele.

A reflexão proposta é aproximar a universidade e o setor produtivo. “Se quisermos ingressar numa era na produção industrial temos dois caminhos: tentar uma produção que se sustente em condições precárias de trabalho para reduzir custo da mão de obra e falta de compromisso ambiental ou temos que reduzir custos com base tecnológica”, disse ele.

O primeiro caminho, no entanto, apesar de poder reduzir custos e criar capacidade de competição, não tem mais espaço na realidade de hoje, segundo a análise do reitor Marcus Vinícius, isto porque, além das questões éticas, o mercado mundial tem repudiado esse modelo de produção. “Temos que ter uma população bem formada, educada, que exige investimento em educação superior e política de educação para que essas instituições estejam próximas ao setor produtivo levando esse conhecimento para se transformar em inovação e capacidade para competição global das nossas empresas. É o único caminho do desenvolvimento que o Brasil tem a seguir”, enfatizou o presidente da Andifes.

Bate papo com Marcus Vinícius David, Presidente da Andifes

Como a aproximação do setor produtivo com a educação superior pode gerar desenvolvimento para o país?
Se investíssemos em ciência e tecnologia, criássemos aproximação das universidades com o setor produtivo, com processo de organização dos estados e municípios, haveria retorno em tributos em poucos anos. E nós não estamos discutindo política fiscal que reduz investimentos. Temos que estar unidos em torno do investimento em ciência, tecnologia e educação superior como mecanismo para o crescimento econômico.

Qual foi o trabalho feito pelas universidades durante a pandemia com aulas presenciais suspensas?
Tínhamos que voltar toda a nossa estrutura, todos os nossos quadros para o enfrentamento dessa pandemia, por isso que há de se destacar todo o trabalho das universidades durante a crise. Não apenas a rede 44 hospitais universitários que lideraram o enfrentamento e definiram protocolos de atendimento. Esse, sem dúvidas, foi um papel fundamental, mas nós fomos muito além disso. Disponibilizamos nossos laboratórios, realizamos testes, produzimos EPIs, equipamentos, materiais naquele momento de crise de abastecimento, realizamos pesquisas, mobilizamos pesquisadores, comitês científicos foram montados com quadros das universidades para fazer acompanhamento, monitoramento da evolução epidemiológica.

E na parte acadêmica?
Num primeiro momento, a nossa reação foi nos mobilizar para enfrentar a pandemia. Quando ficou evidente e claro que seria uma tragédia de médio e longo prazo e que passaríamos muito tempo naquele cenário, nós fizemos grande esforço de adaptação do nosso modelo de aprendizagem. As universidades são caracterizadas por altíssima qualidade acadêmica e teríamos que migrar para o sistema remoto garantindo essa qualidade.

Fonte: Tribuna do Norte

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