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UFPA divulga o resultado de pesquisa sobre os impactos econômicos e sociais da covid-19 em comunidades de Belém e São Paulo

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Nesta quarta-feira, 23 de março, o Projeto “Tackling Covid19 Through Co-production: engaging Brazilian vulnerable communities in facing the consequences of pandemics” vai promover um encontro virtual para apresentar o resultado da pesquisa que buscou identificar ações bem-sucedidas para lidar com impactos econômicos e sociais da covid-19 em comunidades vulneráveis. O projeto, que foi desenvolvido pela Universidade Federal do Pará (UFPA), em parceria com a Universidade de São Paulo (USP) e a Universidade de Essex, do Reino Unido, também contou com a participação de representantes das comunidades pesquisadas em Belém e São Paulo.

Financiada pelas agências britânicas UK Research Innovation e Newton Fund, por meio de uma chamada pública com foco nos atuais desafios globais, a pesquisa buscou gerar um ambiente propício para a chamada coprodução, quando cidadãos e servidores públicos trabalham juntos na busca de soluções para o bem-estar coletivo.

“Através das entrevistas com lideranças comunitárias, lideranças associadas a ONGs e terceiro setor e moradores das comunidades, identificamos quem atua na solução dos problemas, quais atividades e de que maneira elas foram desenvolvidas para o enfrentamento da crise do coronavírus nessas comunidades. Observamos também como estes importantes atores locais operaram para detectar as necessidades das comunidades, obter recursos para essas necessidades, priorizar a alocação destes recursos de forma justa e igualitária ou de forma que gerasse equidade, e distribuir estes recursos”, comenta a professora da UFPA Lidiane Dias.

Finalizado esse primeiro momento de mapeamento das ações exitosas desenvolvidas nas comunidades no período da pandemia, será gerado um relatório que terá como foco proporcionar o exercício da coprodução, quando sociedade de agentes do governo atuam de forma conjunta. Assim, a partir deste envolvimento de representantes de diferentes setores, espera-se que cada vez mais pessoas interajam com a autoridade pública para o debate de ações que promovam uma conscientização coletiva.

“Observamos que diversas organizações nas comunidades da Vila da Barca, em Belém, e de Paraisópolis, em São Paulo, usam seu capital intelectual e de recursos para responder às crises. As soluções encontradas nascem das comunidades e das lideranças que existem nestas comunidades, em geral sem coordenação das autoridades públicas. Com isso, desenhamos um modelo processual de resposta à crise, para mostrar a potencialidade destas comunidades e destacamos que o governo poderia ouvi-las para desenhar melhores políticas públicas, ampliando a participação social”, aponta a professora Lidiane Dias.

Voz da comunidade – Além de uma equipe formada por pesquisadores das universidades envolvidas no projeto, a pesquisa também contou com a importante participação de representantes das comunidades Vila da Barca e Paraisópolis para a condução de entrevistas e acompanhamento das comunidades. Ao mesmo tempo que deu voz aos líderes locais e incentivou o engajamento de toda a comunidade, esta ação também proporcionou que mais pessoas tivessem a possibilidade de interagir com a autoridade pública para discutir as ações sob a ótica de quem vivencia a realidade de cada local.

“A experiência foi essencial para ratificar a nossa atuação na comunidade na pior crise sanitária vivenciada por nós. Lembro bem que, durante as nossas ações e atividades realizadas nesse período, mesmo nos expondo à covid, conseguimos entender, de fato, o que as famílias estavam enfrentando (dificuldades financeiras, de acesso à saúde e à educação pública, por exemplo, o que serviu pra gente ajustar nossas futuras ações no intuito de amenizar as principais dificuldades dos/as moradores/as). Ainda assim, sabemos que o trato da pandemia cabia muito mais ao poder público do que à associação de moradores e aos coletivos que atuavam aqui dentro”, pontua Inêz Medeiros, pedagoga e incentivadora social, moradora da Vila da Barca, em Belém.

Entre os relatos que foram repassados à equipe que coordena o projeto, estão dois grandes questionamentos apontados pelos entrevistadores locais: como pedir para o/a provedor/a ficar em casa com sua família, se eles não tinham como suprir suas necessidades diárias (alimentação, itens de higiene pessoal, formas de distração e outros)? E como manter o distanciamento social, se o básico para essas famílias não era garantido ou ofertado?.

“Enxergar quem foram as pessoas mais afetadas na pandemia nos diversos setores, principalmente de forma socioeconômica, as formas como ela sentiu o reflexo dessa crise sanitária e econômica e colocar essa informação de forma estatística servirá para que qualquer ação ou política pública direcionada à comunidade seja levada em consideração. São dados essenciais para reafirmar também o que já falamos aqui dentro: não cabe nossa atuação, que considerávamos paliativa (ao levar cestas básicas, itens de higienização pessoal e outras demandas para amenizar a vida das pessoas), se ela não vier com as ações afirmativas do Estado e da sociedade civil. Poder estar em consonância com a universidade a fim de superar essas situações que mostram que as camadas populares não estão no centro das decisões governamentais e da sociedade civil é justamente o que nós estamos fazendo”, finaliza Inêz Medeiros.

Comunidades conectadas – Para compartilhar toda essa experiência e conhecimentos desenvolvidos durante o Projeto “Tackling Covid19 Through Co-production: engaging Brazilian vulnerable communities in facing the consequences of pandemics”, nesta quarta-feira, 23 de março, às 19h, será realizado um bate-papo virtual com diferentes atores soziais que colaboraram com a pesquisa. O objetivo da realização é promover um espaço de troca entre a academia e a comunidade para difundir as ações coletivas bem-sucedidas que foram utilizadas para responder aos impactos da pandemia da covid-19 no Brasil e que podem vir a ser utilizadas também em outras crises semelhantes.

“A ideia de desenvolver este workshop é gerar um espaço de discussão e construção de conhecimento. As comunidades são vistas como locais vulneráveis e, muitas vezes, são invisíveis à sociedade em geral, mas, na realidade, existem ali muitas ideias de melhorias e a universidade pode ser canal de difusão destas ideias. As comunidades têm a dizer porque elas conhecem a realidade, conhecem as demandas e conseguem propor como melhorar a realidade em que vivem e podem ser uma relevante fonte de conhecimento para soluções dos problemas crônicos decorrentes da desigualdade no Brasil”, complementa Lidiane Dias.

Participarão do bate-papo: Antonio Carlos Cabral, representante do Unicef; Marcelo Cavanha, da CUFA; Inêz Medeiros e Pawer Martins, moradores da Vila da Barca (Belém-PA); e Gabriel Finamore e Guga Brown, moradores de Paraisópolis (São Paulo-SP). O encontro será mediado pelos professores e pesquisadores Lidiane Dias (UFPA), André Aquino (USP), André Lino (University of Essex) e Ileana Steccolini (University of Essex).

Serviço:

Workshop Comunidades Conectadas
Data: 24 de março de 2022, às 19h.
Plataforma: Google Meet
Inscrições aqui.

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