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Pesquisa da UFS revela mudanças no perfil do caminhoneiro brasileiro

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O perfil do caminhoneiro sofreu mudanças significativas nas últimas décadas, no Brasil, desde o aumento do uso da tecnologia à precarização do trabalho nas estradas. É o que revela um estudo realizado por pesquisadores do Laboratório de Sexualidade, Saúde e Desenvolvimento, do Departamento de Psicologia da Universidade Federal de Sergipe (UFS).

Os resultados estão na quarta edição da pesquisa “Perfil do Caminhoneiro Brasileiro.” Realizado desde 2005, em parceria com a fundação Childhood Brasil, o levantamento surgiu com a intenção de tentar entender como vive e o que pensa o profissional da estrada, costumeiramente associado como “cliente” da exploração sexual.

Segundo o líder da pesquisa e professor de Psicologia da UFS, Elder Cerqueira, trata-se de um “esforço que busca desvendar o universo do comportamento sexual de quem passa a maior parte dos dias longe de casa, distante da família, das relações afetivas, sujeito a condições de trabalho muitas vezes exaustivas e difíceis.”

A edição mais recente do estudo entrevistou 268 motoristas de todo o país, sendo que 215 foram escolhidos de modo aleatório, e 53 de um grupo controle de empresas do setor. Ao todo, mais de 2 mil profissionais já foram entrevistados desde o início da pesquisa há 15 anos.

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Elder Cerqueira coordena Laboratório de Sexualidade, Saúde e Desenvolvimento. Foto: Josafá Neto/Rádio UFS
Elder Cerqueira coordena Laboratório de Sexualidade, Saúde e Desenvolvimento. Foto: Josafá Neto/Rádio UFS

“A pesquisa faz uma série histórica sobre as mudanças que vem acontecendo com esse profissional, tentando entender especialmente o envolvimento dele com o comércio do sexo nas estradas. Mas também partimos do pressuposto de que precisamos entender outros padrões comportamentais, como questões de saúde, segurança, família e qualidade do trabalho,” acrescenta o professor.

A partir da série histórica (2005-2021), foi possível identificar a redução do envolvimento de caminhoneiros com a exploração sexual de crianças e adolescentes, e como o aumento do acesso à internet impactou na relação do trabalho e na exploração sexual de jovens.

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Os resultados também apontam a intensificação da precarização do trabalho e da qualidade de vida do profissional do transporte rodoviário de carga, além da tendência de crescimento do conservadorismo entre os profissionais que vivem nas estradas.

“A avaliação é feita com os próprios caminhoneiros, ouvindo eles nas estradas, viajando o país através da imersão ecológica na pesquisa de campo. Com isso, conseguimos ter acesso a informações sobre como eles percebem o próprio cotidiano,” explica o doutorando em Psicologia da UFS, Hênio Rodrigues.

Exploração sexual

Em relação ao envolvimento com a exploração sexual nas estradas, 90% dos entrevistados disseram que não fizeram sexo com crianças e adolescentes nos últimos cinco anos. Esse percentual era de 87% em 2015, sendo que, no primeiro ano da pesquisa em 2005, apenas 63% afirmavam não terem feito sexo com crianças e adolescentes nos cinco anos anteriores.

Precarização do trabalho

A pesquisa indica ainda a diminuição da renda média familiar do caminhoneiro, caindo de R$ 3.600 em 2015 para R$ 3.200 ano passado. Esse cenário é agravado quando comparado ao valor do salário mínimo. Em 2010, por exemplo, a renda média era de 5,77 salários mínimos. Baixou para 4,55 salários mínimos cinco anos depois e, em 2021, ficou em 2,90 salários mínimos.

Tecnologia nas estradas

O uso do celular aumentou 156% no período analisado, saltando de 32% para 82% entre 2005-2021. O aplicativo de mensagens WhatsApp lidera entre o tempo de uso de celular, seja para lazer, trabalho ou formação profissional por meio de cursos on-line.

“Ir a campo me permitiu constatar a relevância dessa pesquisa para o caminhoneiro e também para sociedade, pois pude compreender como esses profissionais impactam diretamente nossas vidas, o seu papel, e como eles precisam ser cada vez mais ouvidos,” afirma o doutorando.

Josafá Neto

comunica@academico.ufs.br

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