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UFPE analisa ritmo e lacunas no processo de vacinação contra a Covid-19

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Apesar de o Programa Nacional de Vacinação do Brasil ser considerado um exemplo a ser seguido ao redor do mundo, a pandemia de Covid-19 trouxe inúmeros obstáculos a um histórico de sucesso no combate às doenças infecto-parasitárias. O retrocesso imposto pela pandemia fica evidente na queda da expectativa de vida da população em aproximadamente dois anos durante esse período. Diante desse cenário, uma pesquisa desenvolvida pelo professor Rafael da Silveira Moreira, da Área Acadêmica de Saúde Coletiva da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), em conjunto com seis alunos da graduação em Medicina e um doutorando da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz-PE), propõe investigar o ritmo da vacinação contra a Covid-19, sobrepondo as características demográficas aos critérios epidemiológicos, a fim de entender a efetividade da vacinação, seu ritmo e as lacunas existentes nesse processo.

No artigo científico “The assistance gaps in combating Covid-19 in Brazil: for whom, where and when vaccination occurs”, publicado na prestigiada revista internacional BMC Infectious Diseases, os pesquisadores analisam a evolução espacial e temporal da vacinação no Brasil entre a terceira e a 21ª semanas epidemiológicas de 2021. “De modo geral, o estudo retratou o atraso no início da vacinação no país. Embora a prioridade dos grupos tenha sido seguida proporcionalmente às demandas, ela não foi equitativa. Os idosos tiveram uma redução na taxa de vacinação da segunda dose e as populações vulnerabilizadas [indígenas e quilombolas] apresentaram as menores taxas de vacinação”, relata o professor.

De acordo com Lucas dos Santos, doutorando da Fiocruz que participou do trabalho, a proposta de realizar a pesquisa surge com a perspectiva de contribuir para compreender, a partir de evidências científicas, como se deu o início da vacinação prioritária contra a Covid-19. Nesse sentido, foi observada uma resposta tímida e tardia da gestão nacional brasileira, a qual, segundo o estudante, focou erroneamente em atenção individual para os acometidos pelo vírus e na busca pelo aumento da capacidade hospitalar, em vez de atuar de maneira incisiva a favor das medidas sanitárias e sociais coletivas.

Notou-se ainda que o processo sociopolítico e econômico de crise – que sofreu com atrasos e impedimentos de aquisição dos imunizantes, pouco planejamento sanitário e divulgação em massa de notícias falsas relacionadas à doença e às condutas para sua prevenção e tratamento – foi agravado por um histórico de subfinanciamento e recente desfinanciamento do sistema público nacional de saúde. Tal sistema, devido a sua capilaridade nacional e responsabilidade sanitária, possuía enormes potencialidades para realização da vacinação oportuna e em massa, para ações de promoção e prevenção em saúde nos territórios, para o monitoramento da transmissão e ocorrência da doença e para os cuidados e recuperação daqueles que adoeceram.

“Essa fragilidade na gestão da pandemia deixou o país muito suscetível ao agravamento da doença observado nos meses seguintes. Também explica parte das mortes que deveriam ser evitadas caso campanhas, distribuição e incentivo à vacinação fossem prioridades defendidas e levadas mais a rigor pela gestão nacional. No lugar disso, foram observados atrasos, descasos e defesas de tratamentos sem evidências científicas. Tal cenário também provocou, e ainda provoca, posturas negacionistas e anti-vacinação”, afirma o professor Rafael.

O artigo, escrito com grande participação de alunos da graduação em Medicina, dentre os quais alguns são bolsistas de iniciação científica (Pibic), demonstra que a produção científica permeia toda a UFPE, não se limitando apenas à pós-graduação. O graduando Luiz Henrique Miranda descreveu a participação na pesquisa como fundamental para sua formação. “Foi uma experiência riquíssima em todos os sentidos. Um enorme exercício educacional, uma vez que, para mim, houve um grande amadurecimento da escrita e do raciocínio científico, do aprimoramento da discussão e do racional que deve ser buscado para a interpretação mais adequada possível dos resultados que são obtidos”, explica o estudante. Além de Lucas e Luiz, o artigo também contou com a coautoria dos discentes Emilly Guaris Costa, Raiany Rodrigues de Oliveira, Ricardo Fusano Romão, Rodolfo Ferreira Cozer e Sarah Cavalcanti Guedes.

Por Milena Galvão

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