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UFRJ – Projeto de extensão desconstrói mitos sobre vegetais e apresenta divulgação científica acessível

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Entre as plantas, a biodiversidade é tão grande que não é difícil enumerar diferentes aproveitamentos para as inúmeras espécies que constituem o reino vegetal. Muitas vezes, um mesmo tipo de folha pode ser usado tanto em tratamentos medicinais quanto como cosmético ou com função alimentícia. Para além de ornamentações decorativas, as plantas ainda podem ser utilizadas como chás, cremes e para fins religiosos, por exemplo.

Todas essas funções têm ganhado destaque e atenção da sociedade em geral, que busca produtos e formas mais naturais de se relacionar com o planeta. Não à toa, o mercado global de cosméticos veganos tem crescimento previsto de 5,1% nos próximos cinco anos, ultrapassando os US$ 21 bilhões, de acordo com a empresa de pesquisa MarketGlass. O mesmo movimento pode ser observado em outras áreas.

Em especial, a busca pelo uso de plantas medicinais aumentou entre os brasileiros após o início da pandemia de covid-19, como maneira de buscar bem-estar e equilíbrio em meio às dúvidas, perdas e indefinições do momento. É o que mostra uma pesquisa elaborada pelo Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde (Icict), da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz): mais da metade da população (61,7%) recorreu a recursos naturais, como plantas medicinais, produtos fitoterápicos e meditação, para lidar com doenças como ansiedade e depressão.

No entanto, a falta de informação pode fazer com que fake news sobre o tema sejam compartilhadas, fortalecendo a falsa ideia de que tudo que é natural é inofensivo. É o caso de uma planta chamada confrei. Desde os anos 70, ela ficou conhecida popularmente por auxiliar no processo digestivo. A indicação era de ingerir o chá da planta após as refeições, o que em longo prazo se mostrou nocivo por atingir o fígado e gerar doenças como cirrose e câncer de fígado. Apesar disso, o chá da planta seguia sendo indicado em sites e redes sociais sem embasamento científico.

Diante dessa e de outras informações não verídicas, Leopoldo Baratto, professor da Faculdade de Farmácia da Universidade Federal do Rio de Janeiro, buscou uma maneira de desconstruir esses mitos e expandir os conhecimentos comprovados dentro do tema. Para isso, desde 2018, ele idealizou o projeto de extensão PlantaCiência, que destaca a importância e variedade das plantas medicinais a partir da criação de um canal de divulgação científica forte e embasado.

Divulgando ciência na base

Para semear conhecimento e quebrar tabus sobre o uso medicinal, o PlantaCiência tem se fortalecido com canais nas mídias sociais nos quais apresenta curiosidades sobre o reino vegetal, bem como informações de plantas tóxicas e alimentícias, além de moléculas derivadas (fármacos). Uma publicação no Instagram do projeto, por exemplo, apresenta espécies de plantas e suas utilizações para animais, expandindo a visão sobre a etnoveterinária e os produtos fitoterápicos.

Uma das atuações do projeto é em escolas estaduais do nível médio. | Foto: Divulgação

Além de dar orientações e alertas que combatem as fake news, outro objetivo do projeto é levar a iniciativa também a escolas de ensino médio, fornecendo iniciação científica aos estudantes, baseada em experimentos simples e que utilizam materiais baratos e acessíveis. O site do projeto disponibiliza diversos conteúdos e materiais didáticos para professores e alunos. Os conteúdos contam com infográficos, vídeos de curta duração, podcasts e roteiros de atividades práticas.

Com a intenção de interiorizar ainda mais as ações, o PlantaCiência já realizou atividades no Rio de Janeiro, em Guapimirim e em Petrópolis. “A receptividade é muito boa. As escolas muitas vezes têm laboratórios bons e equipados. Às vezes, o que falta são ideias simples de como utilizar. Quando realizamos, isso instiga os alunos a querer conhecer a Universidade. Nosso trabalho, de certa forma, é um trabalho de transformação”, explica Baratto, coordenador do projeto.

Como extensão, o PlantaCiência é possível por meio da colaboração de extensionistas voluntários de diversas áreas do conhecimento, não apenas da Farmácia. Para participar, os interessados passam por um processo seletivo, mas as vagas estão sempre abertas. Basta entrar em contato pelo Instagram deles ou por e-mail.

Este texto é resultado das atividades do projeto de extensão “Laboratório Conexão UFRJ: Jornalismo, Ciências e Cidadania” e teve a supervisão da jornalista Tassia Menezes.

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