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Andifes debate saúde nas universidades federais

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Os cuidados com a saúde, em especial a saúde mental, dentro das universidades foram o centro do debate do Seminário – Cuidando da Saúde de Todos na Universidade Federal, promovido nesta quarta-feira, 26, pela Associação Nacional de Dirigentes de Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), na sede da entidade, em Brasília, com transmissão e participação online.

“A questão da saúde, em especial da saúde mental, é hoje onipresente, no Brasil, no mundo, e também dentro das universidades e entre nossa juventude. É um tema de gestão muito importante, nos ocuparmos de todas as medidas para diagnosticar, acompanhar e combater eventuais problemas relacionados à saúde e saúde mental dentro da nossa comunidade. O seminário de hoje é estratégico para que possamos discutir e ver caminhos para desenvolver ações em rede e proceder a providências concretas nesse tema tão delicado”, afirmou o presidente da Andifes, reitor Ricardo Marcelo Fonseca (UFPR).

O Seminário “é um ponto de partida coletivo para poder organizar contribuições de todos os fóruns que tratam de recursos humanos nas universidades. Fizemos consultas ao Forgepe (Fórum Nacional de Pró-Reitores de Gestão de Pessoas das IFES) e ao Cograd (Colégio de Pró-reitores de Graduação das IFES) para contar com a contribuição de todos para enfrentar de frente o tema da saúde na universidade, com um recorte mais profundo em saúde mental”, destacou o secretário-executivo da Andifes, Gustavo Balduino.

Maria de Jesus Dutra Reis, vice-reitora da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), realizou a palestra “Saúde Mental na Pandemia: novo cenário, problema antigo”, na qual apresentou relatos sobre saúde na comunidade acadêmica. A vice-reitora mostrou pesquisa realizada com alunos, discentes da pós-graduação, docentes, técnicos administrativos que totalizam mais de 22 mil pessoas na UFSCar, no segundo semestre de 2019, seis meses antes do início oficial da pandemia de Covid-19.

“A pesquisa com alunos apontou que 45% do universo de pesquisados afirmaram estar precisando de cuidados de saúde mental e, destes, 57% afirmaram não estar recebendo nenhum cuidado ou acompanhamento ou tratamento. Enfrentar o problema envolve esforço articulado, tanto para construirmos uma política de saúde mental das universidades, quanto para definirmos ações ou dimensionarmos os recursos necessários. Precisamos de números e mapeamentos”, afirmou Maria Dutra Reis.

Na sequência, Maria Rita César, pró-reitora de Assuntos Estudantis da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e coordenadora nacional do Fórum Nacional de Pró-Reitores de Assuntos Comunitários e Estudantis (Fonaprace) da Andifes, apresentou a palestra “O lugar do sofrimento psíquico e saúde mental na assistência estudantil – desafios para a permanência e qualidade de vida”.

Para Maria Ria, as questões de saúde mental têm trazido desafios muito grandes para as pró-reitorias de assistência estudantil e correlatas, que funcionam como lugar privilegiado do acolhimento dos estudantes em sofrimento psíquico, com equipes multidisciplinares com assistentes sociais, psicólogos, pedagogos, enfermeiros e médicos. “A saúde mental dos estudantes, assim como de todos os segmentos que compõem as comunidades universitárias, é de responsabilidade de todos, de todas as áreas. Por isso seria importante o estabelecimento de uma política de promoção, prevenção e acolhimento em saúde mental nas universidades”, afirmou a coordenadora do Fonaprace.

A Reforma psiquiátrica e os desafios do modelo comunitário em saúde mental foram o tema da palestra de Rafael Nogueira Furtado, da Universidade Federal do ABC (UFABC), lembrando que a atenção psiquiátrica está relacionada ao paradigma de promoção da saúde, que se refere às condições de vida que envolvem contextos habitacionais, de lazer, educação, sociais e de rede de suporte e apoio. Ele relatou que as principais demandas identificadas na UFABC para atendimento são: dificuldades acadêmicas, de adaptação a projeto pedagógico, situações de assédio, solidão, falta de sento de pertencimento, discriminação e preconceito, sintomas ansiosos e depressivos, questões financeiras – redução das bolsas, desemprego, dificuldade em conciliar trabalho e graduação, dificuldade em conseguir estágio ou emprego

“Como se dá a assistência estudantil a partir desse paradigma?”, questiona Nogueira, acrescentando ser necessário nesse tema “compromisso com a construção de um ambiente universitário diverso e inclusivo e com a garantia da permanência material e simbólica, atuando no âmbito das políticas afirmativas”.

Anderson Rosa, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), coordenador do Fonaprace/Sudeste, encerrou as apresentações do Seminário com a palestra “Fatores de risco e proteção da saúde mental de estudantes universitários”, na qual fez uma provocação: “qual o papel das universidades nessa dimensão da saúde mental?”. “Sabemos que pessoas que estiverem adoecidas não conseguirão aprender, ter seu desempenho acadêmico satisfatório. Então, em alguma medida, a universidade também é responsável pela saúde mental da sua comunidade”, afirmou Rosa.

No encerramento do Seminário, ficou definida a criação de um Grupo de Trabalho sobre Saúde nas Universidades Federais e a produção de um levantamento com dados disponíveis nas universidades para subsidiar a elaboração de uma política de atenção à saúde para todo o sistema universitário.

 

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