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UFRN – Estudo encontra rica variedade de fungos em ambientes aquáticos do RN

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Estudo desenvolvido por pesquisadores de laboratórios do Centro de Biociências (CB/UFRN) revela que ambientes aquáticos oferecem um potencial até então pouco explorado na ciência. A pesquisa identifica e caracteriza a presença de Fungos Micorrízicos Arbusculares (FMA) em ecossistemas aquáticos, especialmente ambientes lênticos, como lagos e lagoas, abrindo portas para novas possibilidades de pesquisa na área.

Raiz colonizada por fungos arbusculares micorrízicos – Fonte: Denise Mescolotti

A pesquisa foi realizada no município de Nísia Floresta, na Área de Proteção Ambiental Bonfim-Guaraíras, em uma área de transição terrestre-aquática composta pela lagoa de Alcaçuz e por uma região adjacente de restinga, onde foram analisados aspectos como composição, riqueza, diversidade e dominância de espécies desses fungos. Como resultado, algo surpreendeu os pesquisadores: nos sedimentos aquáticos, foi constatada uma alta riqueza de espécies de FMA, totalizando 50, um número superior ao encontrado na região terrestre de restinga, que foram contabilizadas apenas 33 espécies.

Para o professor Bruno Tomio Goto, docente do CB e um dos autores, esses resultados são inesperados pelo fato de estudos anteriores realizados em regiões temperadas e tropicais terem evidenciado os ambientes aquáticos como menos ricos em espécies quando comparados aos ambientes terrestres.

“O estudo fornece evidências consistentes do potencial dos ambientes aquáticos em abrigar alta riqueza de espécies de Fungos Micorrízicos Arbusculares. Além disso, por serem ambientes pouco explorados, podem abrigar espécies ainda desconhecidas para a ciência”, explica Bruno. O professor reforça ainda que a pesquisa solidifica esforços para um estudo de áreas negligenciadas pela ciência, dentro de uma linha de pesquisa que considera estar ainda “em aberto”.

“Devido ao reduzido número de pesquisas em áreas alagadas como lagos, lagoas e rios, nossos resultados permitem especular que sedimentos aquáticos em ambientes tropicais são mais ricos em FMA do que se imaginava. Isso significa que plantas macrófitas aquáticas podem estar colonizadas por esses fungos, conhecidos por melhorar o desenvolvimento vegetal. Nosso estudo pode ser útil para compreender quais fungos ocorrem nas macrófitas e se essas espécies podem ser utilizadas em culturas de interesse econômico”, complementa.

Foram responsáveis pela pesquisa docentes, mestrandas e doutorandas integrantes do Laboratório de Biologia de Micorrizas e do Laboratório de Biologia, Ecologia e Evolução de Crustáceos, vinculados ao Departamento de Botânica e Zoologia do CB. O artigo teve origem no projeto de iniciação científica Diversidade de Fungos Micorrízicos Arbusculares em rizosfera de macrófitas aquáticas de tabuleiros costeiros do Rio Grande do Norte, que atuou investigando a ocorrência e a diversidade de fungos micorrízicos arbusculares em ecossistemas aquáticos no Rio Grande do Norte, como lagos e lagoas.

O artigo foi publicado na revista científica suíça MDPI (Multidisciplinary Digital Publishing Institute) e o acesso à leitura é gratuito.

Por Naomi Lamarck de Agecom/UFRN

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