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UFTM – Pesquisa identifica a formação de ‘ilhas de calor’ urbanas em cidades do Triângulo Mineiro

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Um estudo recente encontrou evidências de que cidades de pequeno porte do Triângulo Mineiro podem ter um padrão de aquecimento tão intenso quanto grandes cidades do Brasil e de outros países ao redor do globo. Os dados foram apresentados no artigo intitulado “Spatial and temporal dynamics of the urban heat island effect in a small Brazilian city” (Dinâmica espacial e temporal do efeito da ilha de calor urbana em uma pequena cidade brasileira), publicado na revista Geographical Research, periódico que é o 12º mais citado no mundo na área da Geografia. O artigo é de autoria da egressa do curso de Licenciatura em Geografia da UFTM, Maria Clara Ap. Ribeiro, e do professor do Departamento de Geografia da UFTM, Leandro de Godoi Pinton.

De acordo com o professor Leandro, o estudo revelou a existência de bairros da cidade de Sacramento no Triângulo Mineiro com valores médios de 3 – 4 º C mais quentes do que as áreas rurais dos seus arredores. O professor ainda acrescenta que os bairros mais aquecidos foram identificados nas periferias da cidade, com locais que experimentaram em determinados episódios um aquecimento máximo de 6,3 ºC. “Esses bairros periféricos são formados por uma mistura densa de edificações compactas construídas com material pesado (tijolo, concreto) sobre superfície essencialmente pavimentada, com poucas ou sem árvores. Essas características influenciam diretamente no maior aquecimento do ar nessas áreas. É importante chamar a atenção que tais bairros geralmente possuem uma população com nível socioeconômico mais vulnerável ao impacto do calor”, esclareceu o docente.

Nas áreas urbanas, as alterações da sua superfície definem áreas mais quentes que as áreas rurais dos seus arredores, um efeito conhecido como ilha de calor urbana.

Para a realização do estudo sobre o efeito da ilha de calor em uma cidade pequena, os autores mensuraram a temperatura do ar com um sensor acoplado em um automóvel, percorrendo a cidade em rotas pré-determinadas durante noites das estações úmida e seca. A separação do efeito urbano na resposta da temperatura do ar exigiu ainda o cruzamento dos registros obtidos em campo com os dados das condições atmosféricas regionais, características da estrutura e cobertura da superfície dos bairros e variáveis das formas de relevo local.

Os resultados deste estudo integram a pesquisa temática conduzida pelo professor Leandro na UFTM que investiga o efeito da ilha de calor urbana em cidades de pequeno e médio porte do Triângulo Mineiro. Essa pesquisa conta com a participação de estudantes do curso de Geografia da UFTM e de colaboradores externos.

Segundo o professor, a próxima etapa da pesquisa será focada em Uberaba. “Neste momento, estamos instalando uma rede inicial de sensores para o monitoramento contínuo da temperatura do ar na malha urbana de Uberaba. Iremos monitorar a temperatura do ar em diferentes paisagens urbanas da cidade”, disse Leandro.

Equipamentos (sensor de temperatura e escudo protetor de radiação) instalados para o monitoramento da temperatura do ar em diferentes bairros de Uberaba. Da esquerda para a direita, pontos de coleta na Abadia, Parque das Américas e no Centro. (Imagens: Arquivo pessoal dos pesquisadores do projeto)

O professor destaca que isso só foi possível diante do recente suporte financeiro viabilizado pelo Núcleo Interinstitucional de Estudos e Ações Ambientais do Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba – NIEA – TM/AP, representado pelo promotor de Justiça do Ministério Público do Estado de Minas Gerais – MPMG, Carlos Alberto Valera. A parceria com esse núcleo foi firmada pela mediação do pró-reitor de pesquisa e pós-graduação da UFTM, professor Carlo José Freire de Oliveira.

“Esperamos que os resultados desta pesquisa em Uberaba ajudem no desenvolvimento de ações do poder público em prol da mitigação/adaptação do calor da cidade”, destaca o professor Leandro. Ele finaliza chamando a atenção para a importância dessa agenda de pesquisa em região onde os dados sobre o efeito das ilhas de calor são escassos. “A documentação do efeito das ilhas de calor urbanas em cidades do Triângulo Mineiro é essencial para o combate dos impactos potenciais do fenômeno, especialmente sob a tendência de ampliação do estresse térmico em nossas cidades como resultado da combinação dos futuros cenários de crescimento urbano com a ocorrência mais frequente de eventos extremos de calor”, finalizou.

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