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Educação a distância e educação presencial – por Gildásio Guedes Fernandes

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A Educação a Distância (EaD), bem antes de chegar às universidades brasileiras, já existia. O que mudou, ao longo dos tempos, foi o seu formato, o qual evoluiu em função dos avanços tecnológicos. O exemplo mais comum, dessa evolução, foram os cursos por correspondência, que evoluíram para o rádio, para a televisão e atualmente utiliza os recursos do computador e da internet. O que tem caracterizado a Educação a Distância é a metodologia que utiliza no processo ensino aprendizagem, a qual respeita o tempo de quem ensina e de quem aprende, por utilizar as tecnologias na mediação dos momentos síncronos e assíncronos, quer sejam a distância quer sejam presenciais. Essa formatação não só respeita o tempo do aluno, como possibilita a inclusão de alunos que moram em localidades onde as universidades não conseguem chegar fisicamente.

Em 2020, durante a pandemia, o conhecimento acumulado pela Educação a Distância das universidades possibilitou a mitigação dos prejuízos dos alunos, que não podiam sair de suas casas para assistir aulas presenciais, pelo ensino mediado por tecnologia, geralmente utilizado pelo formato síncrono de transmitir o conhecimento, que ficou conhecido como ensino remoto. Neste formato, o tempo que o professor dá sua aula é o mesmo tempo que o aluno, em sua casa, assiste a aula.

A partir de então, tornou-se necessário o debate sobre o tema, com vistas a dirimir as dúvidas conceituais entre a EaD e o ensino presencial. É importante destacar que a educação a Distância volta-se para o atendimento de um público específico na sociedade brasileira, não concorrendo com o atendimento tradicional das universidades.

Não restam dúvidas que o ensino presencial não é mais o mesmo depois da experiência dos professores e dos alunos durante as aulas remotas, por conta da pandemia. Da mesma forma que a Educação a Distância, embora respeitando o tempo do professor e do aluno, passou a incorporar contribuições de professores do presencial que souberam fazer a transposição didática, de forma criativa, do ensino presencial para o ensino remoto.

O mais importante é que a Educação a Distância não surgiu para acabar com o ensino presencial, mas surgiu como uma alternativa para alcançar o aluno que reside em localidades distantes ou para incluir aqueles que, por motivo diversos (trabalho e atualmente: mobilidade urbana e a violência nas cidades) não conseguem assistir aulas no tempo que é oferecido pelo ensino presencial.

Na UFPI, a Educação a Distância teve início em 2006 e se constituiu como unidade de ensino em 2012 (Centro de Educação Aberta e a Distância – CEAD), com professores e apoios administrativos próprios, com assento em todos os conselhos Superiores da nossa Universidade. O CEAD mantém parceria com o Governo do estado do Piauí, o qual oferece infraestrutura para os polos de apoio presencial, e é viabilizado financeiramente pela CAPES/MEC, que disponibiliza bolsas para os profissionais envolvidos, bem como recursos de custeios, basicamente para ajudar nos deslocamentos de tutores, professores e coordenadores de curso, para os 48 polos, distribuídos em cidades distante da sede. Vale destacar que, em anos anteriores, graças ao adequado apoio do Governo Federal, a quantidade de alunos na Educação a Distância na UFPI alcançou mais de um quarto de todas as matrículas da instituição.

Portanto, ampliar a Educação a Distância, nas universidades brasileiras, não significa acabar com o ensino presencial, pois as duas modalidades podem andar juntas. Ademais, a contribuição da Educação a Distância vai além, pois sua ampliação, além de incluir um número maior de pessoas, poderá contribuir para melhorar os números da meta 12 do PNE, que, até esta data, está bem distante de ser alcançada.

Neste sentido, considerando que a Educação a Distância possibilita a inclusão de um número expressivo de estudantes, de forma menos onerosa, é chegada a hora das IFES se apresentarem para ampliar seu atendimento em Educação a Distância, aproveitando sua capacidade instalada, de pessoal altamente qualificado, não para disputar mercado com a instituições particulares, mas para oferecer Educação a Distância com qualidade para aquelas pessoas, que não podem frequentar aulas presenciais, e que não têm condições financeiras de se matricular em uma Faculdade particular para realizar seu sonho de obter um curso superior.

Gildásio Guedes Fernandes é reitor da Universidade Federal do Piauí (UFPI)

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