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ChatGPT, quais as perguntas necessárias? – Por Gustavo Balduino

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Analisar “O impacto do ChatGPT na sociedade moderna”, conforme o proposto pela secretaria- executiva e pelos Colégios assessores da Andifes, de Graduação – COGRAD, Extensão COEX, Pesquisa e pós graduação – COPROPI e de Tecnologia, Informação e Comunicação – CGTIC em Live realizada em 6 de março, pressupõe um considerável grau de incerteza das possibilidades, teóricas e práticas, de suas aplicações e usos. Pelo recente dessa tecnologia, não é fácil dimensionar com clareza aonde será possível chegar, em que áreas será viável utilizá-la, quais os limites e intersecções com outras tecnologias, quais produções, profissões e processos serão alterados, e o quanto. Existe, entretanto, uma certeza já aferível: há impacto, e este é real e amplo.

Não se trata apenas de um problema de uso, aceitação ou conhecimento individual de tecnologias. Trata-se, sim, de trazer as respostas possíveis e, sobretudo, buscar as perguntas necessárias para uma melhor compreensão dos impactos nas atividades e relações humanas causados pela Inteligência Artificial (IA), especialmente do ChatGPT e seus similares. Com o auxílio das reflexões proporcionadas pelos palestrantes e das questões levantadas pela assistência, elaborou-se, na Live, um panorama inicial em que foi possível vislumbrar algumas das aplicações e usos dessa tecnologia, e, talvez mais importante, alargar o horizonte de dúvidas pertinentes cujas respostas definitivas ainda estão sendo construídas.

Professores e estudiosos do tema, Akemi Kawagoe (Sofia Educação), Jean Caminha (UFMT), Lisandro Granville (UFRGS-RNP) e os coordenadores dos Colégios assessores da Andifes, do COGRAD – Jerônimo Tybusch (UFSM), do COEX – Hélder Silveira (UFU), do CGTIC – Andrés Menéndez (UFS), e do Copropi – Flávio Demarco (UFPel), foram uníssonos em reconhecer o já existente impacto da IA e do ChatGPT na sociedade moderna e suas possibilidades, o que eu também acredito.

Como afirmou Jean Caminha, “não podemos ter medo de usar essas ferramentas, temos que aprender a usar da forma correta e sermos proficientes nela, ao conseguir fazer perguntas melhores para aumentar nossa produtividade, criatividade e nossas capacidades como profissionais e humanas. As questões éticas de como a tecnologia e a sociedade precisam interagir já são uma discussão antiga no universo da tecnologia, é campo de pesquisa também para a sociologia, da psicologia, agora as discussões são de como a Inteligência Artificial influencia a sociedade. Não é só um problema da área de TI, da área de Educação, mas de todo corpo de conhecimento, por isso a universidade é um bom lugar para discutir esse tema, porque pensa as diferentes visões e abordagens, com estrutura e metodologia”.

Eu sua fala, Akemi Kawagoe nos levou a refletir que “as máquinas estão resolvendo questões muito antigas sobre materiais, por exemplo, mudando o material de certos equipamentos, como aviões, para deixá-los mais leves, porque a IA encontrou uma equação em que a forma em que o material é construído muda completamente a capacidade de suportar peso. Esse é o tipo de problema complexo que uma máquina está ajudando a resolver. Vamos rever concepções do que é autoria e do que é trabalho. Não podemos é deixar que as máquinas tomem conta sem nosso controle, participação e intervenção. E só tem um jeito de participarmos desse processo ativamente, que é usando [a tecnologia]. Não podemos impedir que ela chegue, o que podemos é dizer como utilizá-la, e quanto antes começarmos, melhor”.

Para Lisandro Granville, “uma das questões mais intrigantes é o uso ético da tecnologia. Quando, por exemplo, as redes sociais se tornaram populares, as questões de cyberbullying se tornaram evidentes. Mas isso não significa que a rede social seja um problema; o problema é o uso que se faz dela. Portanto, é muito sobre o uso ético das tecnologias e menos sobre se as tecnologias são éticas em si. Claro que as motivações por trás da criação de uma tecnologia podem ser éticas ou não, mas no momento em que novas tecnologias se tornam disponíveis para as pessoas e para a sociedade em geral, o uso dessas tecnologias vai além das motivações de quem as criou, e é possível fazer a ressignificação desses usos. Tanto o uso ético, quanto o que se faz com as tecnologias vem junto com uma avaliação de quais são os valores que nossa sociedade entende como apropriados e quais não são mais apropriados – já que a tecnologia pode influenciar nesses valores, e isso ser a base da discussão. Hoje, está estabelecido que um estudante de mestrado ou doutorado deve escrever bons textos, mas será que esse será um valor (a capacidade de escrever bons textos) necessário mais à frente? Será que deixaremos de formar novos mestres e doutores se eles não escreverem bem, mas, porém, souberem usar uma tecnologia de forma adequada, cujo resultado final é igualmente um bom texto? Eu não tenho resposta para isso, mas esse é o debate do valor”.

De acordo com Jeronimo Tybusch, “o ChatGPT é uma IA capaz de gerar conteúdo de maneira mais ‘humana’. As perguntas comuns que se fazem é se nossas produções [humanas] serão substituídas por máquinas. Existem profundas reflexões nas áreas das Comunicações, por exemplo, se seria possível a construção de notícias por um chat com IA. Hoje, no Brasil, os grandes escritórios de advocacia se valem de alguma forma de programas específicos com uso de IA. Penso que o profissional que não flertar com essas tecnologias não sobreviverá nessa continuidade de modificação culturais, no mundo do trabalho, nos elementos sociais e em nossos processos. Se a própria tecnologia, ao ser construída, tenta mimetizar ou copiar elementos de padrões humanos através do uso da IA, nossa reflexão sobre os limites e possibilidades desse uso também deve ser uma preocupação que tange a um elemento técnico das ciências sociais humanas sobre essa questão”.

No encerramento da Live, os participantes propuseram perguntas com o objetivo de fomentar a continuidade do debate dessa ferramenta ainda em evolução. Questionamentos sobre como fazer com que sejam abertas e transparentes a todos: a construção dos algoritmos, os dados acessados e o treinamento das IAs, com objetivos e processos compreensíveis sobre os impactos a serem gerados.

Outro ponto levantado é sobre quanto tempo os sistemas educacionais levarão para ajustar seu motor de mudança com a velocidade e potência necessárias para a assimilação da IA no seu cotidiano? Quanto tempo levaremos para estabelecer uma moldura normativa, ao que já acontece do ponto de vista prático, em conformidade com as novas tecnologias para tornar o uso das IAs mais responsável, contestável, transparente e ético? Por fim, foram questionados quais os valores que serão mantidos e os que serão substituídos que ajudarão a definir os bons professores e pesquisadores de um futuro breve. “É possível potenciar a criatividade com o uso da IA?”, perguntaram os participantes.

Esta live, como inúmeros outros encontros que estão ocorrendo para discutir IA, revela que estamos apenas abrindo a porta de um ambiente ainda desconhecido, mas inevitável, e lançando um pouco de luz. Há muito a se conhecer sobre os impactos da IA na sociedade moderna.

Assista à live na íntegra:

*Gustavo Balduino é secretário executivo da Andifes, advogado e engenheiro.

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