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UFRA desenvolve programa que identifica pragas no cacau a partir do uso de inteligência artificial

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Um software gratuito que pode auxiliar produtores a identificar pragas em plantações de cacau amazônico, evitando perdas na produção. Tudo isso utilizando inteligência artificial. Essa é função do primeiro programa de computador registrado pela Universidade Federal Rural da Amazônia (Ufra) junto ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), órgão federal responsável pelo registro de marcas e patentes. O registro foi recebido pela universidade nesta segunda-feira (13) e tem proteção intelectual válida por 50 anos.

“As universidade que se destacam no registro de patentes e programas de computador são melhores ranqueadas e, consequentemente, são vistas como uma instituição importante na geração de inovação tecnológica. Neste sentido, uma universidade federal, ao facilitar o processo de obtenção de patentes resultantes de pesquisas financiadas por fundos federais, atrai mais recursos, provenientes da obtenção de notoriedade junto aos parceiros públicos, parceiros privados e fundações de amparo a pesquisa. Em paralelo, podem operacionalizar a comercialização por parte das universidades destas patentes e programas de computador”, explica o professor Fabricio Noura, diretor do Núcleo de Inovação e Transferência Tecnológica (NIT), que é o canal para que sejam realizados os pedidos e os trâmites para a proteção das invenções e produtos originados de ensino, pesquisa e extensão na universidade.

O programa, desenvolvido pelo Núcleo de Pesquisas em Computação Aplicada (NPCA), da Ufra campus Paragominas foi consolidado a partir do uso de uma base pública de dados, que agora será refinado especificamente para o cacau da Amazônia. “Até o momento, apenas com essa base de dados pública, nós já conseguimos 97% de taxa de acerto. Conforme formos adaptando e treinando a tecnologia para as especificidades da nossa região, o objetivo é que essa acurácia se mantenha ou aumente. Não existe essa base de dados sobre o cacau da Amazônia, nós estamos criando, então quanto mais imagens conseguirmos captar, mais acertos”, explica o professor Marcus Braga, coordenador do projeto e do NPCA.

O Pará é o maior produtor de cacau do Brasil, com produção de 146.375 toneladas, de acordo com levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) do ano de 2021. “A cadeia produtiva do cacau é fundamental para a economia do estado, é moeda de exportação. Para mantermos esse título e atendermos essa demanda, é fundamental que o estado consiga ter a capacidade de prever pragas na produção, o que gera maior possibilidade de intervenção imediata”, diz o pesquisador.

Até agora o grupo já percorreu produções de cacau em Marituba, Castanhal e Tomé-Açu, registrando imagens de frutos saudáveis e com pragas. A proposta é que sejam identificadas as principais doenças que acometem as plantações de cacau, entre elas a mais conhecida é a vassoura de bruxa, praga que chegou a devastar quase 100% das plantações em algumas regiões da América Latina.

“Assim que finalizarmos o software, o produtor poderá baixar gratuitamente o aplicativo, que também pode ser usado diretamente na web. Lá, ele poderá tirar uma foto do fruto e submeter ao programa, que através da visão computacional e IA, vai utilizar da base de dados que coletamos para fornecer um diagnóstico prévio do que pode ser o problema”, explica o professor Marcus Braga. Segundo ele, além de também fornecer instruções básicas sobre o que aquele produtor pode fazer, isso pode ajudar a identificar de forma mais rápida pragas que podem ser controladas, evitando perdas e prejuízos financeiros ao produtor.

Em janeiro do próximo ano o grupo de pesquisadores deve ir até Medicilândia, município que corresponde a 34,69% da produção paraense, segundo a Secretaria de Estado e Desenvolvimento Agropecuário e da Pesca do Pará (Sedap).

O projeto é financiado pela Fundação Amazônia de Amparo a Estudos e Pesquisas (Fapespa) e pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e encerra em julho de 2024. A intenção dos grupo é que ele seja estendido a partir de outras propostas de pesquisas, entre elas uma verificação que vai além de imagens, mas de verificação do solo. “Nós só temos como ter a visão externa do cacau, não temos como saber como está dentro do fruto. Mas podemos usar a biologia molecular para verificar a qualidade do solo em que aquele cacau está plantado e contaminantes”, afirma. Com isso a proposta é desenvolver um selo do cacau, livre de doenças e contaminantes e voltado para a Bioeconomia. Outras propostas também estão sendo desenvolvidas pelo grupo, incluindo a detecção de pragas no milho e ervas daninhas em lavouras de soja.

Além do programa de computador desenvolvido pelo NPCA, a Ufra conta com 14 patentes registradas junto ao INPI. Para a reitora da Ufra, professora Herdjania Veras de Lima, ter o primeiro registro de programa de computador é uma grande conquista para a universidade. “A Ufra desenvolve pesquisas pioneiras e inovadoras, que geram impactos positivos. Por isso é fundamental incentivar que cada vez mais esses trabalhos sejam registrados e que patentes sejam concedidas, porque é um reconhecimento não só para o pesquisador, mas para a instituição como um todo, funcionando como uma vitrine nacional e internacional do trabalho que realizamos, garantindo também visibilidade e com isso recursos para a universidade”, diz a reitora.

Texto: Vanessa Monteiro, jornalista, Ascom Ufra

Foto: arquivo NPCA

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